September 26th, 2008 nosrevla
O verão terminou oficialmente, falo oficialmente porque aqui nos EUA tem essa idéia de que o verão acaba no final de semana do feriado chamado de Labor Day (o dia do trabalho americano que acontece em 2 de setembro). Uma dessas bobeiras americanas. Nessa semana eu fiz uma avaliação do que foi verão nesse ano para mim. Primeiramente, devo enfatizar que verão para mim é sempre bem-vindo. Não me importo nem mesmo se choveu muito, minha alegria foi poder desfrutar de temperaturas elevadas depois de sofrer por meses no frio.Durante o verão tive oportunidade de viajar para Miami, Provincetown e o estado de Maine.  Fui para Miami por uma semana para participar do festival de coros que acontece a cada 4 anos. Nada como sentar em belos auditórios do Carnival Center e assistir coros de vários lugares do paÃs e do mundo cantando os mais variados repertórios (aliás, Milton Nasciomento e o Trio Jobim vão se apresentar nesse mesmo auditório no preoximo dia 4 de outubro). Enquanto em Miami aproveitei para treinar para a corrida de 10 km que iria participar em Portland, Estado de Maine. Todas as vezes que visito uma cidade tento conhecer algum aspecto da cidade através de corridas. Em Miami eu deixei o hotel várias manhãs correndo cerca de 7 km até chegar na gostosa praia de South Beach. Depois de uma boa corrida no calor de Miami, nada melhor do que um bom mergulho na praia. Foi em um desses mergulhos que conheci um casal do Uruguai em férias em Miami. O casal falava português fluentemente e conhecia muita coisa do Brasil e nos divertimos muito falando de coisas em comums em relação ao Brasil.  Ainda os encontrei duas outras manhãs na praia.Depois da maratona de corridas e do festival de coros em Miami, voltei para casa em Boston. O calor por aqui estava fervendo, do jeitinho que eu gosto. A próxima parada foi a corrida Beach to Beacon. Uma corrida de 10 km que reuniu cerca de 6 mil pessoas de todas as idades interessadas no simples prazer de correr. Apesar de uma pequena contusão na perna casada por um dos treinos indevidos que participei, eu consegui finalizar os 10 km em menos de 1 hora. O problema foi que a contusão piorou e eu tive que ficar “de molho” o restante do dia até que tudo voltasse ao normal. Depois dessa corrida eu já participei de mais duas outras corridas de 10 km.
A próxima parada  foi na já favorita cidade de Provincetown para uma semana de muitas caminhadas nas dunas, shows de drag queens, parada de carnaval anual, boa comida, bons amigos e bom descanso, muita bicicleta e pouca praia por causa da água incrivelmente fria. Passei uma semana nessa cidade que fica lá no “fim” do Estado de Massachusetts na região chamada de Cape Cod (ou Cabo do Bacalhau). Foi uma semana muito gostosa cheia de coisas boas para fazer e sem nada para se preocupar.  O verão foi bom, foi muito bom. Agora fico aqui me preparando para enfrentar o inverno que chegará assim que acabar o clima de outono que está lá fora, infelizmente, o frio chega antes de terminar o outono. Mas não tem problema não, já programei duas viagens durante o inverno para lugares quentes  e agradáveis. Aguardem!
 
Um pouco da cidade de Provincetown vista da janela da Biblioteca PúblicaÂ
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September 6th, 2008 nosrevla
Na semana passada, 31 de agosto de 2008, minha mãe completou 80 anos. Já faz tempo que não escrevo nada sobre a minha mãe, mas essa ocasião é tão especial que marquei com alguns eventos simples e tocantes para mim. Liguei para casa como de costume para celebrar o evento. Lembrei-me dos muitos aniversários de minhã mãe quando ligava para casa para falar aquelas coisas que normalmente a gente fala nessas ocasiões. O tradicional “parabénsâ€, os desejos de muitos anos com saúde e multiplicados infinitamente de acordo com nossos desejos. Também parte desse dia de muitas memórias foi lembrar de quando era criança durante essas datas significativas. Lebranças dos esforços constantes de minhas irmãs para que a cada ano essa data fosse celebrada com surpresa, como se fosse a primeira vez que estivesse acontecendo. Lembro-me das muitas visitas que aconteciam durante o dia, as muitas pessoas que passavam por casa demonstrando carinho e atenção para com minha mãe. Todos nós em casa crescemos com a realidade de que nossa mãe não era só nossa, sempre tivemos que a compartilhá-lha com muitas pessoas que, não somente a consideravam como tal, mas que a chamavam de mãe Valdice, com direito a tomar bênção e tudo.Â
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80 anos. Quando paro para pensar com a racionalidade que insiste em entender a vida de minha mãe, fico imaginando toda essa tragetória. Lembro-me que um dia sentamos e conversamos muito sobre a história oral de nossa famÃlia. Conseguimos traçar a história da famÃlia até o ano de 1852. Ela nasceu em uma cidade no interior do Estado do Sergipe, teve lá suas alegrias de menina crescendo em uma fazenda durante os anos 20 e 30. Apesar dos protestos da famÃlia, casou-se aos 14 anos com meu pai e, aparentemente, fugiram para o Rio de Janeiro para começarem uma nova vida. Aos 17 anos teve sua primeira filha, seguida de outra filha e depois, finalmente, um menino e para completar nasceu mais uma filha. “Para completarâ€, era o que se pensava, até que 15 anos depois do nascimento dessa “última†filha eu apareci como uma grande surpresa para toda a familia. Guardo com carinho uma foto em que meus pais estão comemorando 25 anos de casados à volta de uma mesa de festas cercada de familiars e amigos, ali em um cantinho da mesa com uma camisa listrada e boné na cabeça, estou eu agarrado à mesa o mais próximo possivel da minha mãe, estava com 3 anos de idade. Uma criança a essa altura da vida é um desafio para qualquer pessoa. Foi um desafio para minha mãe, mas muito mais para minhas irmãs que tiveram a adolescência “comprometida†com as responsabilidades de “ajudarem a criar†um pirralho que passou a ser o centro da atenção de todos em casa. Só tenho a agradecer a eles pelo que fizeram por mim.
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Domingo 31 de agosto de 2008 – 80 anos de uma vida a ser lembrada, celebrada, honrada e preservada. 80 anos construindo sonhos, vivendo decepções, alegrando-se com o desenvolver da vida, chorando por aquilo que doÃa e parecia não poder ser mudado.
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Escrevo isso tudo no dia 06 de setembro de 2008, já faz uma semana que comemoramos os 80 anos de minha mãe. Hoje relembramos que fazem 2 anos que ela foi morar em outras paragens. Dois anos que nos deixou fisicamente. 24 meses desde aquele dia em que ficou confirmado de que ela já havia cumprido seu tempo entre nós. Minha mãe faleceu depois de um longo perÃodo sofrendo do mal de Alzheimer. Lendo alguns trechos de coisas antigas que escrevi sobre minha mãe, achei essa narrativa de meu primeiro encontro com ela com a doença já em estado avançado:
“A grande expectative era a de como minhã mãe reagiria à minha presença. Para quem não sabe, minha mãe sofre do mal de Alzheimer e anda bem debilitada. O primeiro encontro com ela foi de indiferença, ela não tinha idéia de quem era aquela pessoa na frente dela rodeada de gente perguntando-a se ela lembrava-se de mim. Com o ar educado que sempre foi uma cracterÃstica forte em sua personalidade, minha mãe cumprimentou-me, mas parecia contente em conhecer mais um estranho que diziam ser seu filho.
À noite fui para o quarto dela e ficamos conversando banalidades, podia ver-se que ela estava tentando relembrar quem eu era. Finalmente passou a chamar-me pelo nome e apelido caseiro e passou a conversar coisas que faziam mais sentido e demonstravam que ela lembrava-se de mim. Antes de dormir, ela chamou meu sobrinho e perguntou se ele havia tido um bom dia, ele disse que sim, depois ela disse que o dia dela foi muito bom porque eu estava em casa. Hoje pela manhã ela perguntou se eu já havia acordado, mas quando acordei e fui conversar ela já estava em outro mundo. O estado dela é assim, ela vai e volta. Minhas irmãs cuidam dela com todo o carinho do mundo e realmente tem que se ter muita paciência porque a todo momento minha mãe as chama para fazer alguma coisa. Ontem à noite, enquanto tomava uma injeção, ela me viu, sorriu e acenou. É engraçado como a gente passa a valorizar esses poucos momentos de lucidez que em outras ocasiões seriam quase banaisâ€
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Minha querida mãe, parabéns pelos 80 anos, obrigado por tudo e descanse porque a senhora merece!
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