Were diu werlt alle min
Were diu werlt alle min
von deme mere unze an den Rin
des wolt ih mih darben,
daz diu chunegin von Engellant
lege an minen armen.
Posso falar com toda segurança de que eu nunca havia pensado em vir morar nos EUA. Não via a possibilidade ou o interesse que me impulsionasse para tal. Uma amiga americana na universidade em Pietermaritzburg insistiu para que eu  pelo menos fosse até Durban e solicitasse o visto para os EUA, na remota possibilidade de que eu decidisse  visitá-la mais tarde na cidade de Menphis. Por causa de muita insistência e com muita má vontade, mas o que a gente não faz por uma amiga de voz doce, peguei uma das lotações para Durban e me aventurei em procurar o consulado americano. Preenchi os papéis necessários, entreguei no guichê e perguntei quantos minutos teria que esperar. A informação veio algum tempo depois: “volte aqui em 2 semanas e teremos uma resposta. Levei um susto. Era uma quarta-feira e eu estava de viagem marcada para Londres no domingo. Meu passaporte não poderia ficar preso no consulado numa pilha de papéis esperando a burocracia de um serviço público. Expliquei para a funcionária de que não poderia esperar e que gostaria de ter meu passaporte de volta. Ela ficou desconfiada e até insinuou uma a possibilidade de que meu passaporte não fosse legÃtimo. Como esse povo gosta de uma palhaçada. Eu insisti, até com certa ignorância, em ter o meu passaporte de volta porque não tinha mais interesse algum em tirar  visto para lugar nenhum. Muito relutante, a funcionária respondeu com o famoso ‘agaurde um momentinho, por favor’ e sumiu entre os cubÃculos daquela repartição pública. Voltou algum tempo depois com o passaporte na mão devidamente ‘vistado’ e pronto para a entrada nessa terra aqui. A única diferença é que havia me dado um visto de 2 anos em vez de 10 anos que era ‘costume’ na época. Sem problema, na minha cabeça eu nunca iria precisar daquele visto mesmo, mas fiz a vontade de uma amiga.Â
Já que estava em Durban, fui visitar meu amigo Carlos, o único brasileiro que tinha contato na Ãfrica. Carlos fazia doutorado em música na mesma universidade que eu, só que no campus de Durban. Começamos os nossos cursos no mesmo ano, aliás, a primeira vez que vi o Carlos foi no aeroporto em São Paulo quando nós dois estavamos nos preparando para pegar o mesmo avião para Johannesburg. Notei que ele segurava um envelope com o timbre da universidade. Depois disso, nos tornamos amigos. Carlos terminou o curso de doutorado em música e voltou para o Brasil onde hoje trabalha fazendo aquilo que gosta, fazendo música e tocando tanto em escola de samba quanto em orquestras sinfônicas. Quanto a mim, perdi o rumo do Brasil e segui outros caminhos.
Tenho que admitir que a Sarah estava certa e que foi bom ter tirado o visto just in case como ela falou tentando convencer-me. Viajei intensamente pela Europa e acabei vindo parar em Boston onde, por coincidência, Sarah também foi parar enquanto fazia o mestrado em teologia na universidade de Harvard. Estou por aqui até hoje consciente da possibilidade de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento e eu posso parar em lugares menos prováveis.Â
 É engraçado dizer isso, mas, meu relacionamento com Boston é antigo, pelo menos na minha imaginação e capacidade de inventar coisas na minha mente. Lembro-me de uma situação que aconteceu quando eu era adolescente. Não lembro as circustâncias (melhor dizer que não quero mencioná-las aqui), mas eu acabei na presença de um estranho que, intrigado com o meu nome, perguntou se eu tinha parentes nos EUA (agora sei que tem muita gente por aqui tem o mesmo nome que eu no sobrenome e normalmente tem um H antes do A). Não sei porque e de onde tirei a história, mas minha mente viu uma possibilidade de viajar longe na imaginação: disse que tinha familiares morando em Boston, mesmo tendo consciência de que tudo que sabia sobre Boston era o nome da cidade que, por alguma razão, soava bonito na minha mente. Mal sabia eu que um dia eu acabaria morando na tal cidade. Estou certo de que tenho alguns “poderes inconscientes” que acabam fazendo coisas acontecerem em minha vida mesmo que eu não as planeje ou visualize mais do que um sonho ou vontade imaginativa.Â
Provo meu ponto: em um dia distante na minha história de vida de menino em Nova Iguaçú, estava eu sentado em frene da TV tarde da noite assistindo a um desses concertos sinfônicos da madrugada. O evento se passava no conceituado Carnegie Hall de Nova York. Lembro-me bem de que assistindo ao concerto eu pensei: Se eu pudesse ir à Nova York um dia, eu gostaria de visitar o Carnegie Hall. Eu não tinha qualquer conhecimento do que era ou da importância daquela casa de concertos, mas o nome e o fato de estar sendo apresentado um concerto por lá foi motivo suficiente para despertar o meu desejo de visita. Pensei isso e provavelmente dormi porque ninguém aguentava tais concertos da madrugada sem cair no sono, afinal, não era essa a função de tais programas? Passaram-se os anos e eu acabei visitando Nova York pela primeira vez há 9 anos e  incontáves vezes depois disso. De vez enquando lembrava-me daquele epsódio de menino, mas nunca fiz qualquer esforço para visitar o Carnegie. Cheguei até a esquecer do acontecido até que me vi dentro do Carnegie Hall pela primeira vez na minha vida. Caà na real de que aquela era a primeira vez que entrava naquele lugar. Essa realização e a lembrança nÃtida em minha mente daquela madrugada fez meu coração pular e meus olhos lacrimejarem. Lá estava eu, no famoso Carnegie Hall, não como visitante, não como turista, mas como atração. Lá estava eu, em um camarim da dita casa de concertos trocando de roupa para apresentar-me com o coro em que canto em Boston. Meu sonho/devaneio de menino que usa a imaginação para voar para os lugares mais absurdos estava se tornando realidade para mim. O menino sonhou de um dia visitar o Carnegie Hall para um concerto, em vez disso, lá estava eu me preparando para entrar no mesmo palco que assisti pela televisão anos passados. Isso foi em abril de 2001, desde então, já cantei nos mais diversos lugares e alguns até mais importantes e glamorosos que o Carnegie Hall, como algumas salas de concertos na Europa e emsmo aqui nos EUA, mas aquela experiência em Nova York ficou marcada, tanto a experiência imaginativa do menino, como a realidade que se seguiu anos mais tarde.
October 1st, 2008 at 6:13 pm
Olá,
Achei seu blog procurando as palavras “morar boston” no Google, tentando encontrar algumas dicas pra uma nova vida que terei a partir de Janeiro…
AÃ resolvi te escrever.
Achei muito legal sei blog, são informações assim que fazem a diferença numa rede tão vasta de informações como a internet.
Irei pra Boston em janeiro com meu marido, ele vai fazer doutorado-sandwuiche no MIT, e vamos ficar alguns anos por aÃ. Estou procurando alguns contatos brasileiros, que possam me dar uma ajudinha com dicas… ainda estou um pouco assustada com a ideia de uma mudança tão radical.
Abraços,
Vanessa