egestatem, potestatem

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Vaticano 

 Seja você católico ou não, uma visita ao Vaticano é uma experiência inesquecível. Aliás, esse menor Estado soberabo do mundo oferece oportunidade de turismo para todos os gostos: arquitetura, arte, história mundial, monarquia, política e é claro, religião. 

A primeira vez em que visitei a Cidade Estado do Vaticano foi como parte de um turismo de pequisa que fiz pela Europa. Mochila nas costas e muitos mapas nas mãos, aventurei-me pelos lugares mais diferentes com importância para a história do cristianismo. Aventura acadêmica realizada através da bolsa de estudos que recebi para estudos na área de teologia e história.

Cheguei em Roma pela manhã e imediatamente saí pela cidade capturando tudo o que fosse possível, meu plano era simples: visitar o Vaticano à tarde e a cidade de Assis no dia seguinte. Comecei bem, saí pelas ruas de Roma com meu mapa na mão indo em direção ao Vaticano. É claro que me perdi completamente no caminho porque os mapas me são, muitas vezes, inúteis, devido ao meu pobre senso de direção. De qualquer forma,  continuei andando e admirando as belezas históricas de Roma, cada virada de esquina, uma surpresa. Foi em uma dessas viradas que me deparei com a suntuosidade da Basílica Vaticana e a praça que abraça os seus peregrinos. Foi um momento único que me paralisou por alguns segundos, um desses momentos em que tudo vem à sua cabeça ao mesmo tempo, fiquei literalmente “de boca aberta” diante daquele monumento histórico. Em meio à toda essa confusão mental e emocional, fui tomado pelo meu lado racional prático: como é que eu vou ver isso tudo em apenas uma tarde? Basta dizer que, em vez de uma pobre tarde, gastei 3 dias dentro do Vaticano absorvendo cada momento, cada detalhe, cada cor, cada inscrição, cada, cada, cada… As possibilidades são infinitas. Na verdade, eu precisava era de uns 5 anos para absorver o mínimo possível.

Mesmo reconhecendo que ver o Papa pode disvencilhar emoções fortes até mesmo em um não-católico, meu objetivo na cidade não era esse. Tinha consciência de que tudo que veria seria um ponto branco em uma janela. Um padre brasileiro que havia encontrado na comunidade de Taizé na França, já havia me alertado de que eu dificilmente veria o papa porque ou ele estaria no hospital ou viajando pelo mundo. Mesmo assim, sua Santidade (para os Católicos) apareceu em uma cerimônia em uma das praças de Roma participando de um ofício religioso ligado à sua função de Bispo de Roma.

Se você é um daqueles que não pode ir à Roma sem ver o Papa, então, sugiro coordenar sua agenda de viagem com a do Papa. O site do Vaticano oferece a agenda do papa com certa antecedência. Se for possível consiga ingresso para participar de uma das muitas cerimônias realizadas no Vaticano em que o Papa preside. Com um pouco de sorte você pode até participar da beleza litúrgica que é uma missa de canonização. O Papa também oferece uma audiência pública todas as quartas-feiras  no salão Paulo VI ou na Praça de São Pedro dependendo do tempo e do número de pessoas. Ingressos para as audiências podem ser conseguidas através de uma conferência de Bispos ou diretamente com o Vaticano. Escreva ou fax - Arcebispo James Harvey, Prefeito da Casa Pontífica, Cidade do Vaticano 00120, Europa. O número do fax é (39-06) 6988-5863. Também há milhares de ordens ou casas religiosas que oferecem os ingressos para interessados, mas lembre-se que tudo isso deve ser feito com antecedência. Os ingressos são grátis, mas você vai encontrar um milhão de cambistas tentando vendê-los na rua. Tente evitá-los. 

Tudo no Vaticano tem algum significado demonstrado em cores, vestimentas ou gestos. Observe tudo. Nada é feito por acaso ou sem um sentido histórico ou fundado na tradição. Não deixe de reparar (é quase impossível não reparar) nas vestimentas da Guarda Suíça desenhadas pelo grande Michelangelo - são 150 peças naquela vestimenta colorida. Por falar em cores, aprenda a difereciar as hierarquias no “reino monárquico vaticânico” (sim, não se esdqueça de que o Vaticano é o único reino monárquico absoluto na Europa) - Na remota possibilidade de você ver um homem vestido com uma batina de puro branco andando em algum beco de Roma, não tenha dúvida, esse é o Papa. Se estiver vestindo vermelho em alguma peça da vestimenta sacerdotal, então você encontrou um Cardeal, que não é Papa, mas é eleitor de Papas e pode ser eleito papa um dia (repare como a Guarda Suíça bate continência cada vez que um Cardeal passa por eles. Se você encontrou alguém vestindo púrpura, então a pessoa é um Bispo. Por favor, não cometa a mesma gafe que o Presidente norte americano cometeu ao saudar o Papa: “O Senhor está com a aparência muito boa, Vossa Eminência.”  O problema é que Benedito XVI não é chamado de Vossa Eminência desde 2005 quando foi eleito Papa e deixou de ser cardeal. Papa = Vossa Santidade; Cardeal = Vossa Eminência; e Bispo ou Arcebispo = Vossa Excelência.  Será que ainda se ensina pronome de tratamento nas escolas? Muito bem, talvez você não precise saber disso, mas um Presidente de Estado precisa saber como se dirigir a um outro Chefe de Estado.

Por falar em roupas, coloridas ou não, saiba que o Vaticano requer e proíbe o uso de roupas “inadequadas” nas suas dependências: nada de ombors de fora ou  bermudas.  

Se você tiver tempo e oportunidade, não deixe de visitar as catacumbas do Vaticano. São escavações arquelógicas diretamente embaixo da Basilíca de São Pedro (por falar nisso, você sabe a diferença entre basílica e catedral?).  Como é sabido na história, a basílica foi construida sobre um cemitério. A idéia do imperador romano  Constatino era a de que o Altar Maior da Basílica de São Pedro fosse eregido exatamente em cima da tumba onde foi enterrado o Apóstolo Pedro. O fato se passou e centenas de anos mais tarde o Vaticano iniciou escavações arqueológicas embaixo da Basílica e, para a surpresa de muitos, encontrou uma verdadeira cidade dos mortos. Você pode visitar as escavações enquanto em Roma. O único problema é que os ingressos são limitados a 250 por dia. A única maneira de conseguir ingressos é através do Escritório de Escavações do Vaticano: e-mail: scavi@fsp.va or uff.scavi@fabricsp.va, por fax: (39-06) 6987-3017, ou diretamente no escritório.

Se você só tem uma tarde ou um dia para visitar o Vaticano então, é melhor não ir porque você vai ficar maluco, mas se você tiver que escolher, visite a Basílica e a Capela Sistina.

Não sei porque, mas a sensação que tenho é a de que eu entrei sozinho naquela imensa igreja. Não me lembro dos turistas, tudo que me lembro é da minha esperiência pessoal com aquele prédio cheio de história. Tente colocar na sua cabeça toda aquela imensidão. Logo depois de entrar,  você vai ser automaticamente levado a olhar para o seu lado direito. Se eu tivesse qualquert tendência em me tornar Católico, acho que aquele seria o momento perfeito para fazê-lo: o momento em que vislumbrei La Pietá. Uma capela simples com essa escultura que te magnetiza: uma mãe com o filho adulto deitado em seu colo. Eu andei por toda a igreja, mas de alguma forma era sempre levado a voltar e olhar aquela cena de novo. Sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que já ví. Como é que Michelangelo, aos 24 anos de idade, no ano de 1499, conseguiu tal proeza em mostrar tantos sentimentos e emoções naquela escultura? Esse foi mais um momento em que não me lembro de nenhum turista ao meu lado. Falo isso porque eu tenho visto algumas fotos do Vaticano e está sempre cheio de gente andando para lá e para cá. Creio que eu tenho essa capacidade de me isolar com a experiência do momento nessas viagens.

Ao andar pela Basílica de São Pedro (que não é a Catedral de Roma) tenha consciência de que você está entrando na maior igreja Católica do mundo. Olhe em todas as direções, inclusive o chão de mármore onde você vai encontrar  o nome e símbolo das dioceses do mundo inteiro. Não deixe de visitar a cripta onde você pode ver o túmolo de papas recentes e do passado. Quer algumas informações da grandesa desse monumento? São 31 altares, 27 capelas dentro da basílica, 390 estátuas, 135 mosaicos e 15 mil metros quadrados de mármore.

Depois de visitar a  Basílica onde bispos são sagrados, novos santos são proclamados e onde por séculos e séculos  as coloridas e  bem coreografadas  liturgias católicas acontecem, visite a maravilhosa Capela Sistina. Um pequeno livro comemorando a reaturação da Capela que comprei enquanto no Vaticano tem o título que resume as pinturas que você vai ver em seu interior: Capela Sistina - Santuário da Teologia do Corpo Humano. É claro que está diante de obras como A Criação de Adão ou do Juízo Final torna-se momentos únicos e inesquecíveis, porém, minha maior fascinação com a Capela Sistina foi a do meu senso histórico de que naquele exato lugar são realizados os conclaves onde são escolhidos os novos papas da igreja. É dalí que se origina a tão famosa fumuça branca que anuncia a eleição de mais um sumo pontífice. É alí também onde todos os anos por ocasião da Páscoa acontece uma dessas coisas que só o Vaticano mesmo consegue criar com seus segredos, fofocas e intrigas. 

Se você estiver por Roma na quarta ou sexta-feira da semana santa, tente participar da missa realizada na Capela Sistina. Nessa missa você vai ouvir o Miserere Mei, Deus composto por Gregorio Allegri em 1630. Por algum motivo ligado a supertição excessiva e secretiva do Vaticano, essa composição foi proíbida pelo Papa de ser copiada ou executada fora da Capela ou daquela missa específica sob pena de excomunhão automática. Uma das coisas que mais chama a atenção nessa composição específica é o fato de, em meio ao canto coral, uma simples voz se destaca cantando a mais pura nota dó nas maiores alturas da nota, toda a música enche a Capela e você é elevado até o teto cada vez que o menino no coro (ou o castrato nos tempos antigos) atinge aquela difícil nota. A fascinação com a história desse Miserere não termina na sua técnica musical. Por causa da proibição decretada pelo Papa, a única maneira de se ouvir a música era participando da missa em um dos dias da Semana Santa. A tradição diz que lá pelo ano de 1770 um menino de 14 anos participou da missa na quaerta-feira santa e ouviu aquela música. Mais tarde naquele dia, o menino sentou-se e escreveu toda a música de memória baseado no que havia ouvido durante a missa. O menino retornou na sexta-feira para checar se o que havia memorizado estava certo e talvez fazer algumas correções. O nome desse menino era Mozart. Baseado na transcrição de Mozart, a música foi publicada em Londres no ano de 1771. Mozart não foi excomungado, mas sim admirado pelo Papa. Por falar em Miserere, saiba que a língua oficial do Vaticano é o velho e bonito latin. Isso significa que se você for tirar dinheiro no caixa eletrônico vai ser saudado pela máquina com a seguinte inscrição na tela:

Inserito scidulam quaeso ut faciundam cognoscas rationem 

 Pois bem, não deixe de estudar seu latin e, quem sabe, você é até  convidado para um bate-papo com o Papa. 

 

 

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